Abraham Shapiro*
Seus funcionários são como frutas. Quando começam no cargo, são como frutas verdes viçosas – dão esperança de uma boa colheita. Com o tempo, entram na rotina e, então, seus resultados estabilizam em determinado patamar. É quando amadurecem. Deste momento em diante, algo terrível pode acontecer. Eles tendem a ficar passados.
Em minha casa, fomos educados a não desperdiçar comida. Somos descendentes de lugares onde os alimentos não eram abundantes e as frutas eram muito caras. Por isso, com as frutas maduras, minha mãe fazia geléia ou compota. Adicionava açúcar, um volume de água e levava a mistura ao fogo. Após evaporar grande parte da umidade durante muitas e muitas horas, a massa ficava livre de microorganismos e era, então, guardada em potes esterilizados.
Dessa maneira, as frutas ganhavam vida nova podendo continuar servindo como alimento por bastante tempo.
O que aprender disso? Sem o açúcar e a longa exposição ao fogo, a geléia não dá ponto. Se pensarmos em transpor a experiência de minha mãe para o ambiente empresarial, a primeira sugestão a respeito de funcionários maduros e viciados é: dê a eles um tratamento respeitoso e com consideração – uma boa dose de açúcar. Depois, submeta-os ao fogo da reciclagem, da avaliação de desempenho, do feedback constante, dos novos desafios e da exposição à mudança de comportamento, ou seja, às novas aprendizagens.
Todo mundo precisa enxergar as situações desde outros pontos de vista para mudar a forma de pensar a respeito delas. A rotina e o hábito de colaboradores bitolados os fazem perder a consciência. Uma porção de mudança – por menor que seja – dá uma sacudida mental e, assim, renova as perspectivas.
Sem os devidos e constantes cuidados, você perde seus funcionários. Não os deixe ficar passados, pois, segundo minha mãe, frutas muito maduras dão dor de barriga e, se ficarem passadas, só servem como adubo, nada mais.
Colaboração: Jaquelini Carissimi
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